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  • Feira de Santana, segunda, 25 de março de 2019

André Pomponet

Crônica da Quarta-Feira de Cinzas feirense

André Pomponet - 06 de março de 2019 | 19h 33
Crônica da Quarta-Feira de Cinzas feirense

Contrariando algumas expectativas, a Quarta-Feira de Cinzas foi muito tranquila na Feira de Santana. No início da manhã o movimento se limitou à afluência dos católicos para as missas que marcaram o começo da Quaresma. O tema da Campanha da Fraternidade, como sempre, não podia ser mais oportuno: as Políticas Públicas. Cabível em qualquer época, mas sobretudo agora, quando o Estado brasileiro aderna sob uma das maiores crises gerenciais de sua História.

Pelas ruas da Feira de Santana havia uma quietude pouco comum. As clínicas permaneceram vazias; as repartições municipais exibiam avisos orientando sobre o funcionamento a partir das 13 horas; pelas lojas, escassos clientes para os comerciários que trabalharam, já que parte do comércio também não funcionou pela manhã.

Ali na Bernardino Bahia faltou a lufa-lufa habitual dos feirantes: muitos compareceram para oferecer seus produtos, mas diversas barracas não funcionaram; pelos becos no entorno do Mercado de Arte alguns proseavam pelas mesas, mas a demanda por refeições também foi mais escassa. Havia quem somente fumasse e saboreasse um café.

Até na Sales Barbosa o trânsito foi fluido: as aglomerações e o empurra-empurra habituais cederam lugar a uma pasmaceira que lembra a antiga via de décadas atrás, silenciosa, com raros passantes. Agitadas só as vozes dos que anunciavam produtos para quem circulava, despreocupado.

Peixe

O cheiro do peixe cozido – indispensável na dieta do católico nessa data – lá por volta do meio-dia atraía transeuntes, houve quem se abancasse para comer pelas barracas que servem refeições. Ventiladores ligados nos boxes que exibem roupas multicoloridas sinalizavam para o ar abafado logo no início da tarde. Quem não tinha o que fazer conversava, tranquilo, aguardando movimento.

Imensas nuvens encardidas, plúmbeas, ocuparam o céu no início da manhã. Caiu até uma garoa muito suave pela Maria Quitéria, que durou um fugaz par de minutos. Mas, depois, o vento dissipou as nuvens e um azul de quase-outono prevaleceu.

À tarde a grande novidade foi um sol menos ardente, mais cálido, quase caricioso; e um vento úmido, fresco, coisa rara nesses meses de verão abrasador. É o prenúncio do outono? As águas de março que fecham o verão ainda não se precipitaram, pelo menos não na intensidade que o sertanejo anseia. Mas já se pressente a nova estação no ar.

Enfim, a luz mais colorida, o sol mais amistoso, o vento que soprou à tarde, resgatando lembranças de uma Feira que teima em sobreviver na memória, já são presságios da próxima estação, que se retarda por apenas mais 15 dias. Infelizmente, é querer demais que a Quaresma e o outono diluam o metafórico ar empestado que estacionou sobre o País...



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