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Motocicletas: maiores geradoras de indenizações e mortes no Brasil

Vanessa Testa - 11 de fevereiro de 2019 | 08h 12
Motocicletas: maiores geradoras de indenizações e mortes no Brasil
Foto: Ricardo Silveira/ Reprodução

A moto é o veículo que mais mata, em todo o Brasil. Os dados estatísticos chegam a níveis alarmantes, no país. E Feira de Santana não foge à regra. Nos últimos 10 anos, o número de motos teve um crescimento de 40% e, em 2018, a frota chegou a mais de 105 mil motocicletas.

No Brasil, as motos compõem 27% da frota de veículos individuais. Em Feira, esse número ultrapassa os 30%. Conduzir um veículo de duas rodas pode ter vantagens, como, por exemplo, a rapidez, a fluidez no trânsito, o baixo custo de manutenção, o consumo de pouco combustível, a facilidade de compra e a praticidade para estacionar, mas também pode trazer consequências negativas, como acidentes de trânsito com maior propensão a óbitos. 

Ao tempo em que cresce a frota de motocicletas, também crescem os acidentes com esse tipo de veículo. De acordo com dados da Seguradora Líder, administradora do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT), do total de indenizações pagas de janeiro a outubro de 2018, dos mais de 156 mil motoristas, 137 mil eram motociclistas, ou seja, o veículo de duas rodas esteve presente em 88% dos casos.

O DPVAT é um seguro obrigatório criado para indenizar vítimas de acidentes de trânsito causados por veículos automotores: motoristas, passageiros ou pedestres. O valor do reembolso para despesas médicas e hospitalares é de R$ 2,7 mil e, em casos de morte ou invalidez permanente, a cobertura chega a R$ 13,5 mil.As indenizações são pagas individualmente, para cada vítima, e não há limite de vítimas a serem indenizadas, em um acidente.Vale salientar que até mesmo a categoria de ciclomotores – as populares “cinquentinhas” – está incluída na tabela do DPVAT, visto que, em 2016, entrou em vigor uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que regulariza esses veículos.

O Nordeste, apesar de apresentar a 3ª maior frota de motocicletas do Brasil, foi o estado responsável pela maior concentração das indenizações pagas pelo Seguro DPVAT (30%), o que reforça o fato de que a conscientização e a educação de condutores precisam ser ainda mais incentivadas.

Segundo dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Feira de Santana, apenas em dezembro de 2018, foram atendidas 202 pessoas vítimas de acidentes de moto. A coordenadora do órgão, na cidade, Maísa Macedo, revela que as urgências por causas externas acometem, em sua maioria, jovens e adultos do sexo masculino. “O atendimento a essas urgências é realizado utilizando o protocolo do trauma. As equipes recebem treinamento específico e continuado para abordar, com qualidade, essas urgências, contribuindo para que as pessoas fiquem menos tempo hospitalizadas, diminuindo as sequelas relacionadas ao trauma e à taxa de mortalidade. O Samu é o componente da Rede de Atenção às Urgências responsável por esse atendimento tanto no local do acidente, quanto nas transferências entre as unidades de saúde”, explica.

Ainda de acordo com a coordenadora, o Samu direciona as vítimas segundo a gravidade de cada quadro clínico. “As mais graves vão para o hospital, que dispõe do tratamento específico; e as menos graves, que não necessitarão de tratamentos específicos, podem ser encaminhadas às Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

Fraturas, traumas na cabeça e na cervical são as principais lesões sofridas pelos acidentados, por isso o cuidado deve ser ainda maior com vítimas de acidentes de moto. É importante que o Samu chegue com brevidade e atenda o paciente da forma adequada. Isto porque quando uma pessoa leiga movimenta uma vítima de forma indevida, o seu quadro pode ser ainda mais agravado.

O Hospital Geral Clériston Andrade é um dos principais destinos desses acidentados. Mais da metade dos leitos do local é ocupada por pacientes de ortopedia e é frequente a entrada de pacientes politraumatizados

Em entrevista concedida no final de dezembro de 2018, o diretor-geral do HGCA, José Carlos de Carvalho Pitangueira, informou que foram registrados, na unidade, 2.480 atendimentos de pessoas que sofreram acidentes de trânsito envolvendo motos.

Na ocasião, Pitangueira ressaltou também que o número de acidentes de moto supera os demais. De acordo com o diretor, acidentes envolvendo outros tipos de veículos foram 2.100. A média estipulada pela direção do Clériston é de que a unidade recebe, em média, 7 acidentados de moto por dia.

CAUSAS DE ACIDENTES – A maioria dos acidentes é resultado de imprudências cometidas pelos condutores. Mesmo com trânsito muito intenso, os motociclistas descumprem regras básicas, como o uso de equipamento obrigatório, a exemplo de capacete e calçados adequados. Acidentes também são frequentes em função da desobediência à sinalização da via, de ultrapassagens proibidas, do desrespeito da preferencial, da invasão da contramão e de erros nas execuções de curva ou frenagem.

Não existe um dado ou estudo específico, mas, de acordo com profissionais do Samu, a ingestão de bebidas alcoólicas também é um dos principais fatores que resultam em acidentes de trânsito envolvendo motocicletas.

Sem a conscientização dos condutores de motos, dificilmente os números de acidentes e as fatalidades diminuirão. Devido à possibilidade de maior agilidade desse meio de transporte, os condutores se arriscam mais e acabam se expondo ao perigo.



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