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Diretora da Vogue causa polêmica por festa em Salvador com negras ‘vestidas de escravas’

10 de fevereiro de 2019 | 11h 07
Diretora da Vogue causa polêmica por festa em Salvador com negras ‘vestidas de escravas’
Foto: Reprodução / Instagram
A diretora da Vogue Brasil, Donata Meirelles, decidiu comemorar seu aniversário de 50 anos em Salvador. Os festejos durarão todo o final de semana, porém o pontapé está rendendo polêmica nas redes sociais. Isso porque, ela promoveu um jantar na sexta-feira (08), no Palácio da Aclamação, no Campo Grande, em que o tema - pelo que se observa nas fotos divulgadas - foi algo em torno do "Brasil Colônia". Para isso, mulheres negras foram colocadas "fantasiadas de mucamas" com abanadores ao lado do "trono" para fazer a recepção dos convidados.
 
A jornalista baiana Rita Batista foi uma das primeiras a questionar o "tema" escolhido. "'Já as escravas de casas ricas eram adornadas por seus próprios senhores. Quando saíam para as ruas acompanhando suas senhoras ou crianças, eram exibidas em trajes finos e carregadas de joias. A própria escrava era um objeto de ostentação do dono, um objeto de luxo a ser mostrado publicamente'. Trecho do livro "Jóias de Crioula" de Laura Cunha e Thomas Milz. A primeira foto foi tirada entre 1870 e 1880 por Guilherme Gaensly, a segunda é de 2019 mesmo", escreveu.
 
Logo cedo, a também jornalista e professora da Universidade Federal da Bahia, Malu Fontes, fez uma provocação em suas redes sociais. No seu perfil, a comunicadora questionou a revolta seletiva em situações semelhantes, como os ataques que Daniela Mercury recebe por “apropriação cultural”. “Tenho é muitas perguntas, muita ironia na interpretação do comportamento de muita gente e algumas hipóteses para o silêncio de muitos dos pretos e das pretas empoderados/as, e que volta e meia, por exemplo, descem o cacete em Daniela Mercury porque ela canta ‘eu sou neguinha’ e ‘a cor dessa cidade sou eu/o canto dessa cidade sou eu/é meu’. Vem cá, vocês que sopram o bafo quente de ataques a Daniela, que a acusam de black face: por que vocês fazem tanto barulho com esse verso na canção dela ‘a cor dessa cidade sou eu/o canto dessa cidade é meu’ e estão nesse silêncio todo sobre esse tipo de figuração negra nessa festa?”, indagou.  
 
"Bizarro é o mínimo pra começar a falar do sentimento desse povo...loucos, vivendo psicoses, delírios indizíveis", "Como diriam alguns sociólogos, escravidão no Brasil nunca acabou. Apenas mudou de nome", "A colonialidade bem a moda da casa. Tão previsível quanto cafona e deselegante. Muda o século, mas os padrões de comportamento, pensamento e lugares seguem tão intactos que é assustador. E respira fundo que são três dias de festa. Hoje, tem mais espumante e mucama pra elite se deliciar", foram alguns outros comentários deixados nas redes sociais.
 
O evento contou com shows de Orquestra Rumpilezz e de Caetano Veloso. Além da presença de famosos, como Regina Casé, a aniversariante ainda recebeu uma mensagem de parabéns do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton. Neste sábado (9), a celebração continuará no restaurante Amado, na Avenida Contorno, com shows de Preta Gil e Ivete Sangalo. Já no domingo (10), Gilberto Gil comandará o evento, de acordo com informações do Alô Alô Bahia. 


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