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Em carta aos EUA, Maduro compara Venezuela a Iraque e Vietnã

08 de fevereiro de 2019 | 15h 59
Em carta aos EUA, Maduro compara Venezuela a Iraque e Vietnã
Foto: Divulgação
Em uma carta aberta endereçada a população dos Estados Unidos na qual pediu apoio contra uma intervenção estrangeira, o ditador venezuelano Nicolás Maduro comparou a atual situação de seu país com as de Vietnã e Iraque antes da ação militar americana. 
 
No texto de três páginas, Maduro citou ainda o ex-presidente americano John F. Kennedy para defender que a oposição deveria aceitar dialogar com o regime e disse que não existe uma crise humanitária no país.   
 
"Correm os dias que definirão o futuro de nossos países entre a guerra e a paz. Os seus representantes nacionais em Washington querem levar a suas fronteiras o mesmo ódio que semearam no Vietnã", diz a carta divulgada pelo próprio ditador nas redes sociais na madrugada desta sexta (8).
 
"Querem invadir e intervir na Venezuela -dizem eles, como disseram então- em nome da democracia e da liberdade. Mas não é assim". Segundo o ditador, a decisão de Washington de não reconhecer a legitimidade de seu novo mandato tem a mesma credibilidade que as acusações de armas de destruição em massa feitas pelo governo americano antes da invasão do Iraque, em 2003 -posteriormente, ficou comprovado que Bagdá não tinha esse tipo de armamento. 
 
"A história de usurpação de poder na Venezuela é tão falsa quanto as armas de destruição em massa no Iraque. É um caso falso, mas que pode ter consequências dramáticas para a região inteira", diz o texto, que segundo Maduro será enviado para a Casa Branca.  
 
Os Estados Unidos -assim como a oposição venezuelana, o Brasil e outros países latino-americanos e europeus- não consideram Maduro presidente legítimo do país porque não reconhecem a votação que o elegeu em maio de 2018. 
 
O pleito foi boicotado pela maior parte da oposição e recebeu denúncias de fraudes da comunidade internacional. Com isso, a Assembleia Nacional da Venezuela considerou que a Presidência estava vaga e indicou em janeiro seu líder, Juan Guaidó, para ocupar o cargo de maneira interina até que novas eleições sejam realizadas. Maduro, porém, nega as acusações e diz que a eleição seguiu a Constituição. 
 
"A Venezuela é um país que por obra de sua Constituição de 1999 expandiu amplamente a democracia participativa e o protagonismo do povo, que de forma inédita é hoje um dos países com o maior número de processos eleitorais nos últimos 20 anos", afirma ele na carta. 
 
Por isso, de acordo com Maduro, uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela não seria legítima e violaria as normas da ONU. Ele voltou a acusar Washington de planejar uma intervenção militar para ter acesso as reservas de petróleo da Venezuela, as maiores do planeta, e disse que os problemas sociais pelos quais o país passam são culpa das sanções americanas contra o regime. 
 
"A intolerância política em relação ao modelo bolivariano venezuelano e o apetite por nossos imensos recursos petrolíferos, minerais e outras grandes riquezas impulsionaram uma coalizão internacional encabeçada pelo governo dos EUA para cometer a grave loucura de agredir militarmente a Venezuela com a falsa desculpa de uma crise humanitária inexistente", diz o texto. 
 
O presidente americano Donald Trump já afirmou que não descarta uma intervenção militar na Venezuela e recentemente disse que "todas as opções estão na mesa" contra Maduro. Já o governo brasileiro tem descartado essa hipótese e defende uma saída diplomática para o caso. 
 
"Hoje a Venezuela está unida em um só clamor: exigimos o fim da agressão que busca asfixiar nossa economia e sufocar socialmente nosso povo, assim como a interrupção das graves e perigosas ameaças de intervenção militar", afirma a carta.  
 
O ditador diz no texto que a melhor opção para impedir uma ação militar é o início de um diálogo com a oposição e elogia a iniciativa liderada por México e Uruguai que tenta levar os dois lados a negociarem uma saída para a crise. 
 
"Sabemos que pelo bem da Venezuela devemos sentar e dialogar, porque se negar a dialogar é escolher a  força como caminho. Lembremos das palavras de John F. Kennedy: 'Nunca negociaremos por medo. Mas nunca teremos medo de negociar'. Terão medo da verdade aqueles que não querem dialogar?" disse o ditador. 
 
Até o momento, Guaidó e o resto da oposição tem afirmado que não aceitam os pedidos de diálogo porque afirmam que Maduro pretende apenas ganhar tempo. Todas as rodadas anteriores de negociação fracassaram, em parte porque o ditador não aceita deixar o poder ou a convocação de novas eleições.


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