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Mackenzie expulsa aluno de direito que proferiu insultos racistas durante as eleições

Da Redação - 10 de janeiro de 2019 | 12h 22
Mackenzie expulsa aluno de direito que proferiu insultos racistas durante as eleições
Foto: Reprodução/ Youtube

A Universidade Presbiteriana Mackenzie decidiu expulsar o estudante de direito Pedro Bellitani Baleotti, de 25 anos, após a repercussão do vídeo no qual aparece proferindo insultos de teor racista, em referência a duas pessoas negras filmadas por ele, que estavam em uma moto, no trânsito de São Paulo. Na gravação, o aluno afirma: “Tá vendo essa negraiada? Vai morrer! Vai morrer! É capitão, caralho”, aludindo ao então candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).

Conforme o Folha de São Paulo, a decisão da universidade foi tomada em dezembro de 2018 e consta de um parecer do Ministério Público (MP) sobre o caso. Diante da expulsão, o promotor Eduardo Ferreira Valeiro considerou, em seu despacho, não ser necessário mover uma ação civil pública ou qualquer outra medida legal, já que, para ele, as providências adotadas são suficientes. Em função disso, optou pelo arquivamento do processo.

No documento, sobre as providências, o promotor diz se referir tanto ao ato de expulsão, promovido pela universidade, quanto à ausência de vínculo do estudante com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Eduardo Valeiro disse ainda que o presidente da OAB informou que o estudante “não integra os quadros de inscritos da entidade, quer como estagiário, quer como advogado”, sendo dispensável, portanto, no seu entender, outra medida disciplinar.

Aluno do décimo semestre do curso de direito, Pedro Baleotti recebeu suspensão em outubro de 2018. Nesse vídeo, ele também afirmou que estava indo votar “ao som de Zezé, armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vadio, vagabundo com camiseta vermelha e já matar logo”.

PROTESTOS – Em uma segunda gravação, o estudante aparece segurando um revólver e cantando: “capitão, levanta-te”. Após a veiculação massiva dos vídeos nas redes sociais, o jovem foi identificado por colegas da universidade e virou alvo de protestos. Mais de mil alunos se reuniram para cobrar providências e a devida punição do aluno. Pedro Baleotti também foi demitido do escritório em que atuava como estagiário.

Na opinião de Adrielly Oliveira, uma das estudantes que liderou as manifestações na Mackenzie, a decisão da instituição foi justa. Ela afirmou, ao jornal Folha de São Paulo, que a medida serve de exemplo, para que outros casos de racismo sejam evitados, no meio acadêmico. “Acho que foi a coisa certa. No Brasil, as pessoas acham que o racismo se resolve com um pedido de desculpas, mas não é simples assim. É algo sério, um crime. Quando você vê um futuro jurista, aquele que deveria garantir os direitos de outras pessoas, tendo uma atitude racista e dizendo que negros têm que morrer, é preciso agir”, ponderou.

Afrodescendente, a estudante também disse ter se sentido ameaçada com as declarações de Baleotti. Na ocasião em que as imagens foram divulgadas, ela informou que se reuniu com os colegas Christiane Cese e João Eduardo Pinheiro. Juntos, eles  resolveram iniciar uma mobilização via internet.

De acordo com Adrielly Oliveira, houve grande a adesão por parte dos alunos, das entidades acadêmicas, dos movimentos estudantis e também dos professores. Segundo o Folha de São Paulo, os protestos resultaram em uma reunião mais ampla com a reitoria da Mackenzie, que resolveu instaurar um processo interno de averiguação, suspendendo imediatamente o aluno.

DECLARAÇÃO INFELIZ – Na época, o caso ganhou visibilidade nacional. Em entrevista ao Folha, Pedro Baleotti contou que enviou o vídeo, por WhatsApp, a um amigo que vive em Londrina, interior do Paraná, sua cidade natal. Segundo o estudante, esse amigo, que votou em Ciro Gomes (PDT) no primeiro turno, teria repassado a gravação a outras pessoas. O aluno também disse que estava arrependido. “Foi uma fala completamente infeliz, eu estou completamente arrependido, não imaginava essa proporção que o vídeo ia tomar. Fiquei arrasado e arrependido pelo sofrimento que eu possa ter causado para todas essas pessoas”, enfatizou.

Pedro Baleotti também afirmou que sua fala foi motivada por “indignação”, pois, segundo ele, carrega “um sentimento de injustiça de muitos anos com o governo federal, assim como 55 milhões de brasileiros”. Ele salientou ainda que acabou externando o referido sentimento “nessas palavras completamente equivocadas, erradas, a pessoas que não tinham nada a ver com a minha indignação. Pelo contrário, não sou uma pessoa racista, muito menos violento. Quem me conhece, pode atestar meu comportamento, até pela minha formação familiar, pessoal. Estou extremamente triste e até preocupado com os efeitos que eu possa ter causado para as pessoas afetadas”, alegou.

Na manhã desta quinta-feira (10), após a expulsão, Baleotti foi procurado pela reportagem do Folha de São Paulo, mas não foi localizado. A Mackenzie também foi questionada, mas, até o momento, não se pronunciou, oficialmente, sobre o caso.



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