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André Pomponet

O futuro não se parece mais com o que já foi no passado

André Pomponet - 27 de novembro de 2018 | 12h 01
O futuro não se parece mais com o que já foi no passado

Falta menos de um mês para o Natal. E, pelo jeito, os brasileiros – e feirenses – seguem pouco envolvidos pela celebração do nascimento de Jesus Cristo e nada contaminados pela ânsia consumista que caracteriza o período. Isso, a propósito, já há alguns anos: desde, pelo menos, 2015, quando eclodiu a terrível crise econômica que, até agora, dá poucos sinais de que esteja arrefecendo. Sem dinheiro, é mais difícil render-se ao espírito da fraternidade de mercado, tão comum naquele frenético soluço de prosperidade que arrebatou os brasileiros há alguns anos.

O prolongado engasgo recessivo atirou cerca de 13 milhões de brasileiros no desemprego. Muita gente migrou para a informalidade – com rendimentos menores e mais precariedade – e, por essa razão, está consumindo menos. Isso sem contar aqueles que enfrentam congelamento de salários – como os servidores públicos baianos – ou que, simplesmente, só conseguiram emprego com salários mais baixos.

Tudo isso impacta sobre o consumo interno, ainda mais numa época em que – por excelência – se compra mais. Daí a ausência da ostensiva decoração natalina, dos apelos das propagandas, das previsões otimistas de quem contabiliza os ganhos do comércio, dos serviços e da indústria. Atravessaremos mais um “natal da lembrancinha”, conforme se tornou corriqueiro.

Em 2018, porém, há algo diferente no roteiro: nos anos anteriores projetava-se a retomada do crescimento logo para o ano seguinte; previa-se a geração de milhões de empregos; apostava-se em crescimento do Produto Interno Bruto – o PIB – num ritmo promissor. Nada disso se confirmou, mas pouca gente – além da imprensa – comprava essa pule.

Agora nem essa pule se vende mais: as eleições de outubro sacramentaram a derrocada da “Nova República” – baqueada pelo impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016 – e, com a ascensão da extrema-direita, as incertezas se avolumam, já que as expectativas sobre o futuro, certamente, não são como já foram no passado. Por isso nem mesmo essa cantilena otimista se repete mais.

Liberalismo?

Uma sufocante agenda moral prevaleceu durante todo o processo eleitoral. Só que uma sociedade precisa de muito mais do que isso para crescer, gerar riquezas, novos postos de trabalho e desenvolvimento. Até aqui, pouco se falou sobre isso, além de se repisar um liberalismo primitivo, quase místico. E alguns sinais preliminares são muito preocupantes.

Em poucos dias, quem acompanha o noticiário se espantou com as bordoadas distribuídas na China – maior parceiro econômico brasileiro – na vizinha Argentina, nos demais integrantes do Mercosul e, também, nos países muçulmanos. É grande o fluxo de exportações brasileiras para essas nações. Desavenças só podem acarretar instabilidade e piorar a já grave situação econômica do País.

Os mais otimistas enxergam nisso resquícios do clima eleitoral, da polarização que cindiu a sociedade brasileira. E veem o novo governo, no início do mandato, se ajustando aos imperativos da democracia e do comércio internacional. Tomara que estejam certos. Porque, se estiverem errados...

A economia do Nordeste – incluindo aí a Bahia – foi muito mais afetada pela crise econômica legada pela dupla Dilma Rousseff/Michel Temer. É necessário, portanto, começar a gerar postos de trabalho para que, pelo menos, se retorne num intervalo mais curto àqueles patamares de 2013, quando se vivia sob relativa pujança. Para isso, as bravatas são dispensáveis: é preciso planejamento e ação.

Quem observa a Feira de Santana com atenção percebe como, por aqui, a qualidade de vida das pessoas decaiu desde o início da recessão. Milhares de desempregados, muita gente sem benefícios sociais – cortados sob o emedebismo – e sabe Deus quantos se virando como podem. Para esses, não bastam as bravatas e as polêmicas em redes sociais.



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