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André Pomponet

Lá vem chegando o Verão

André Pomponet - 31 de outubro de 2018 | 12h 51
Lá vem chegando o Verão

Lentamente o verão vem se aproximando. O indício mais visível é o aumento médio da temperatura. Desde meados de julho que o sol se impõe, radioso, em manhãs e tardes que foram, aos poucos, se tornando incandescentes. Houve dias abrasadores – via-se pouca gente circulando pelas ruas – e, logo a seguir, vieram chuvas tímidas que, pelo menos, atenuaram o calor. Mas as temperaturas elevadas estão retornando e devem se estender, no mínimo, até o mês de março.

Quem é de olhar o céu, porém, vê a proximidade do verão sob outra perspectiva. Começa pelo alvorecer, que vai se antecipando, encurtando a madrugada, despertando os pássaros que cantam em álacre sintonia. É quando a luz do sol atinge as copas das árvores com uma luz alaranjada, irreal, ainda cálida.

Depois – durante quase todo o dia – o azul assume uma tez esbranquiçada, que reflete a luminosidade estonteante. Só lá pelo meio da tarde em diante – depois das 15 horas – é que o espetáculo se aproxima do clímax, com o astro dourado declinando, mergulhando a oeste, nas cercanias de Bonfim de Feira ou de Ipuaçu.

Há dias em que nuvens azuladas e acinzentadas, esparsas, atrapalham, suprimem o espetáculo. Mas sempre há tardes de céu perfeitamente limpo: é aí que o espectador deve tomar fôlego, porque a exibição de cores e de luzes é indescritível na porção do poente.

Mesmo milhares de observações, minuciosas, sempre serão insuficientes para traduzir, com pálida exatidão, o amálgama do vermelho e do amarelo do poente sertanejo. A esfera cor de cobre, bela, imponente, incandescente, descendente, por fim mergulha detrás da campina espinhosa, deixando atrás de si um indefinível sentimento de grandiosidade. Depois vem, lentamente, a escuridão e as acanhadas luzes citadinas, que espantam fragilmente a escuridão.

Esse espetáculo é mais deslumbrante no verão, já que o sol mergulha, burocrático – quase sempre entre nuvens –, nas demais estações. E, mesmo no verão, às vezes, há nuvens. E, quando não há, nem sempre o cidadão atarefado tem tempo de apreciá-lo em toda a sua duração. Afinal, as intensas ocupações da vida limitam esse deleite aos dias de folga, isso quando se está num ângulo privilegiado de observação.

É verdade que há quem não enxergue beleza nem no nascer do sol, nem quando ele mergulha no poente. Os movimentos da lua – com sua ascensão majestosa nos inícios de noite, sob o céu esverdeado – também são indiferentes. Para muitos, no máximo, servem para demarcar o compasso das horas.

Nesses tempos atrozes, constituem espetáculo – pelo menos por enquanto – gratuito, mas só para quem dispõe desses escassos minutos de folga. De qualquer forma, o verão vai se aproximando e, com ele, a expectativa da repetição desse alumbramento diário. Nele, por alguns instantes, é possível esquecer as agruras que tornaram nefastos os dias que se sucedem. 



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