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Saúde

Curso de Medicina da Uefs completa 15 anos com 253 alunos formados

Karoliny Dias - 25 de outubro de 2018 | 16h 57
Curso de Medicina da Uefs completa 15 anos com 253 alunos formados
Foto: Reprodução

O curso de Medicina da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) completou, em 2018, 15 anos de existência. De acordo com o site da instituição, para implantar o projeto, um grupo de professores da Área de Saúde realizou estudos acerca da necessidade e pertinência do curso na cidade de Feira de Santana.

A Comissão de Estudo foi instalada em 1997. Dentre os docentes participantes, estavam o nefrologista Antonio César de Oliveira, o urologista João Batista de Cerqueira e o pneumologista Renato Pires Freitas, além dos médicos Carlito Lopes Sobrinho, Florentino Carvalho Pinto, João Luiz Barberino e Maria Conceição Costa.

Em julho de 1999, o Projeto do Curso foi concluído. Em seguida, aconteceu sua aprovação no Conselho Municipal de Saúde, em 21 de dezembro de 1999; no Conselho Estadual de Educação, em 05 de julho de 2000; e no Conselho Estadual de Saúde, em 06 de julho de 2000.

Após essa etapa, foi estabelecida a Comissão de Operacionalização da Implantação, composta pelos professores César de Oliveira, Eliane Azevedo, João Batista de Cerqueira, Luís Eugênio Portela, Maria Conceição Costa, Maria da Luz Silva, Renato Pires e Vicente Diocleciano Moreira. Entre as ações realizadas pelo grupo, uma das mais importantes foi a atualização do projeto do curso, em parceria com a Universidade Estadual de Londrina.

O projeto foi apresentado à Assembleia Geral Universitária, em um seminário realizado no campus da Uefs. Posteriormente, foi apresentado em uma sessão especial na Câmara de Vereadores de Feira de Santana. A partir do ano 2000, o projeto do Curso tramitou nas instâncias internas da Uefs, para aprovação. No dia 04 de novembro de 2002, foi aprovado na Câmara de Graduação, no Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) e no Conselho Universitário (Consu). Em 26 de dezembro de 2002, finalmente, foi nomeada a coordenação do Colegiado do Curso de Medicina da Uefs.

“Foi um longo processo, em resposta a uma demanda social existente. Inicialmente, elaboramos um detalhado projeto extraoficial, que durou mais de dois anos. Posteriormente, houve apoio da Câmara de Vereadores, já que o professor João Batista, na época, era vereador. Depois, recebemos o apoio da Associação Médica Brasileira - Regional Feira; do Conselho Municipal de Saúde; das Lojas Maçônicas; do Rotary Clube; e de outras entidades que subscreveram uma moção, pedindo à Uefs a implantação do curso”, contou o professor doutor César Oliveira, coordenador da Comissão de Planejamento Didático.

Ele salientou ainda que os impactos da implantação do curso de Medicina para a cidade de Feira de Santana e para a Bahia são indiscutíveis. “Além da formação de mão de obra especializada para ocupar a rede de saúde local, houve significativo avanço na transformação de Feira em um polo de educação médica, o que levou muitos profissionais a buscarem a Pós-Graduação. Isso mudou de forma impactante o nível e o perfil dos profissionais da cidade. Do mesmo modo, em toda a rede onde os alunos atuam, criou-se uma ideia de ensino associado ao trabalho, o que vai qualificando sobremaneira essas atividades. Então, podemos dizer que, após 15 anos, tanto de forma acadêmica quanto profissional, os resultados são muito positivos”, avalia o nefrologista.

César Oliveira destaca ainda que, ao longo dos anos, os resultados obtidos e o bom desempenho dos alunos acabaram criando uma relação de confiança com a sociedade e com os profissionais de saúde, fazendo com que o curso se tornasse cada vez mais procurado e referenciado. “O apoio dos diversos reitores e diretores do Departamento de Saúde, além do conjunto de professores, que foi ampliado, permitiu essa consolidação”, completa.

POLO DE EDUCAÇÃO MÉDICA – Para o médico e professor João Batista de Cerqueira, o Curso de Medicina da Uefs é uma experiência de sucesso. “Passados os primeiros 15 anos de sua implantação, o curso consolidou-se como uma iniciativa acadêmica coroada de pleno sucesso. Além de formar 224 novos médicos, a implantação do Curso e a oportunidade de atuar na docência universitária tornaram-se fatores de estímulos para médicos que já atuavam na cidade. Em decorrência, dezenas de profissionais da medicina, através de cursos de Especialização, Mestrado e Doutorado, investirem na melhoria de suas formações. Assim, a assistência à saúde da nossa população tende a apresentar uma significativa melhoria. E Feira de Santana, a cada dia, consolida-se como um polo de Educação e Assistência no campo da saúde”, destaca.

A professora doutora Juliana Laranjeira, pedagoga responsável pelo Planejamento Didático do curso, salienta que Feira de Santana é uma cidade em expansão e que a Uefs acompanha esse crescimento. “O Curso de Medicina agrega o desenvolvimento em diversas áreas, não apenas no âmbito da saúde, como também nos campos científico, cultural, social e econômico. O Curso consolida-se com a formação de excelência dos profissionais egressos; com as pesquisas desenvolvidas e publicadas; com os projetos de Extensão; com a formação permanente dos docentes; com a aprovação, acima de 50%, dos estudantes que realizam provas de Residência Médica; e com a inserção imediata dos egressos nos espaços de saúde”, enumera.

De lá para cá, nove turmas já se formaram. São 253 profissionais da Medicina graduados pela Uefs. Seis turmas ainda estão em andamento, com mais 180 alunos em formação. “São profissionais qualificados para atuarem em uma das áreas mais carentes da cidade, que é a saúde”, destaca Juliana Laranjeira.

Para a docente, outro ponto que torna relevante o Curso de Medicina é a qualificação permanente dos médicos/professores. “Mais da metade dos nossos professores são mestres ou doutores; e todos os docentes estão sempre envolvidos em atividades de formação, Pesquisa e Extensão. Esse contexto garante à comunidade feirense profissionais de excelência na atuação nos espaços de saúde”, ressalta.

METODOLOGIAS DE ENSINO – A professora Juliana Laranjeira enfatiza ainda que o Curso de Medicina possui três metodologias inovadoras que fundamentam o Projeto Pedagógico: o PBL é uma delas. A sigla, do inglês Problem-Based Learning, significa Aprendizado Baseado em Problema. A docente explica que se trata de uma metodologia ativa de ensino, onde os alunos ganham conhecimento e habilidades enquanto resolvem problemas.

Essa metodologia é amplamente utilizada em várias universidades internacionais e são respaldadas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Graduação em Medicina. O objetivo principal é garantir o pleno aprendizado do estudante. “A formação é construída em um espaço que proporciona uma relação de trocas interativas e autônomas com os professores, colegas e com os profissionais das Unidades de Saúde, dos hospitais e de outros serviços”, explana.

A pedagoga diz que, desde o início do Curso, os estudantes são imersos em campos de práticas. Segundo ela, todo o processo de formação é construído através da relação teoria e prática, sempre com situações-problema reais ou simuladas. Juliana Laranjeira ressalta que o professor assume o papel de mediador, daquele que proporciona desafios, a fim de que os estudantes possam realizar as tarefas através da pesquisa, da investigação, do levantamento de hipóteses, de estratégias, de reflexão e de análise, oportunizando a elaboração de novos questionamentos. Dessa maneira, tornam-se profissionais que buscam constantemente a melhoria da atuação médica.

“Os alunos aprendem que o paciente é diverso e que os aspectos sociais, emocionais, econômicos e ambientais interferem na condição da saúde. São mais bem preparadas para lidar com situações práticas/reais, pois, desde o início, as vivenciam. Também apresentam raciocínio clínico mais ágil, conseguindo estabelecer uma rede de relações entre teoria e prática com mais rapidez, além de adotarem posturas acolhedoras com os pacientes e com a equipe multiprofissional, nos locais de trabalho. São autônomos na busca de soluções, o que incentiva a pesquisa científica e a melhoria no atendimento. Essas afirmações são baseadas em revisões sistemáticas e depoimentos dos preceptores de Residência Médica”, completa.

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO – A instituição tem ainda um projeto para a implantação de um Hospital Universitário. O Ministério da Educação diz que os hospitais universitários “são centros de formação de recursos humanos e de desenvolvimento de tecnologia para a área de saúde”. Na concepção mais tradicional, estão vinculados a uma instituição de ensino de saúde e devem ser centros de atenção médica de alta complexidade, desenvolvendo, além do ensino, atividades de pesquisa. Por demandarem alta tecnologia, o custo estimado para a construção e funcionamento é bastante elevado. “Essa, possivelmente, é uma das razões de não dispormos de um Hospital Universitário em Feira de Santana”, diz a professora Mônica de Andrade Nascimento, coordenadora do Colegiado de Medicina.

O professor Cesar Oliveira destaca que a ideia de ter um Hospital Universitário vem sendo trabalhada desde o início do curso. “Evidente que é um processo longo, contínuo, que depende de uma série de intervenções e decisões políticas, mas é preciso que esse tipo de unidade hospitalar esteja no alvo da universidade, para que seja viabilizado em algum momento. É claro que um hospital focado no Ensino representaria uma mudança de patamar para todos os cursos de saúde da Uefs e ampliaria a rede de assistência para Feira de Santana, com foco especializado”, avalia.

AMBULATÓRIO – Há um Ambulatório com a estrutura já pronta. O projeto foi concebido, inicialmente, pelos professores do curso de Medicina, concretizando-se pela parceria estabelecida entre a Uefs e a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab), por meio de um contrato firmado entre os anos de 2011 e 2012. “A reforma do imóvel, que fica no Centro Social Urbano (CSU), foi concluída em 2016. Com o término das obras, partiu-se para a etapa de garantir, junto à Sesab, o cumprimento do acordo de disponibilização dos equipamentos necessários ao funcionamento do Ambulatório. No entanto, com a mudança do Governo do Estado, em 2015, e com a consequente substituição da equipe que compõe Secretaria, foi preciso repactuar esses acordos com os atuais gestores da pasta, o que só ocorreu esse ano”, explica a professora Mônica.

Por esse motivo, ela diz que a Sesab disponibilizou, em 2018, uma parte dos equipamentos necessários para dar início às atividades. A Administração Central da Uefs iniciou, assim, a negociação do contrato de prestação de serviços com a Secretaria Municipal de Saúde de Feira de Santana. “Esse contrato de prestação de serviços com o município também é essencial para garantir o funcionamento do Ambulatório, que atenderá, fundamentalmente, a comunidade de Feira de Santana”, observa.

A coordenadora do Colegiado de Medicina participou, na última semana, juntamente com o coordenador da Área de Medicina, professor Edval Gomes, com o reitor Evandro Nascimento Silva e com a diretora do Departamento de Saúde, professora Sílvia Passos, de uma reunião, que teve por objetivo discutir a situação do Ambulatório. “Foi esclarecido que o contrato com a Secretaria Municipal de Saúde está em fase avançada, dependendo de alguns ajustes com a equipe. A meta dos gestores da Uefs é que a unidade entre em funcionamento o mais breve possível, preferencialmente, ainda esse ano”, almeja.

O professor César Oliveira acredita que o Ambulatório ampliará também a Pesquisa Científica. “Esse espaço é importante porque pode permitir melhorar o Ensino e suas práticas, ampliar a Pesquisa Científica e prestar um atendimento especializado à população. A cidade é carente de um local como esse”, justifica.

O Ambulatório funcionará, de segunda a sexta-feira, em horário comercial. O acesso ao serviço será feito via Regulação, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, e contará com diversas especialidades médicas e cirúrgicas, como exames complementares, serviços de farmácia, psicologia e enfermagem.



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