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André Pomponet

Redes sociais amplificaram o ódio nessas eleições

André Pomponet - 05 de outubro de 2018 | 19h 29
Redes sociais amplificaram o ódio nessas eleições

Dizem que essa vem sendo as eleições em que as redes sociais assumiram protagonismo definitivo em relação a veículos tradicionais, como o rádio e a televisão. Tudo indica que sim. Resolvi acompanhar atentamente alguns grupos criados em aplicativos de celular – à direita e à esquerda – para tentar entender parte da dinâmica que move esse turbulento período eleitoral no Brasil. Apesar da festiva celebração da novidade, há muita coisa deplorável que não dá para ser ignorada.

Uma delas é proliferação de mentiras, ataques, insultos – as afamadas fake news – que em nada contribuem para o debate político e que, pelo contrário, ajudam a insuflar esse ódio que aflorou e está aí, à vista de todos, há alguns anos já. Dado o afã no compartilhamento desse conteúdo – e nos comentários – percebe-se que é o que mais faz sucesso.

Além da disseminação de mentiras, há a disposição beligerante. Menos comum em aplicativos de celular – cujos grupos costumam reunir exclusivamente os acólitos de determinadas ideias – os embates encarniçados costumam produzir pouca coisa além de ódio e intolerância. Quem, no futuro, quiser entender as fraturas que apartam hoje os brasileiros, não poderá deixar de dedicar atenção especial a essa dimensão.

Ao contrário do que supõe o senso comum, a interação e o pretenso diálogo produzem pouca coisa aproveitável nesses ambientes. Preconceito, xingamentos, raciocínios rasos e mais ódio – o tempero indispensável nesses espaços – costumam prevalecer. Além, é claro, da constrangedora exaltação dos líderes políticos – algo nem tão distante da fé religiosa – e de suas exaltadas virtudes.

Redes sociais

Muita gente já observou que, no universo das redes sociais, existe pouca diversidade. Aquelas combinações de algoritmos conduzem o indivíduo, necessariamente, àqueles que compartilham de suas ideias ou de seus valores, tornando-o refratário ao que diverge de suas convicções. Naturalmente propenso a esse comportamento, o ser humano encontra aí um incentivo adicional.

Enfim, esses aplicativos são muito eficientes para se mandar um recado, combinar um encontro, repassar uma informação qualquer, até mesmo fazer propaganda direcionada. Debate político se faz noutras instâncias – sobretudo olho no olho –, contrariando o que defendem alguns experts da comunicação de plantão. A ditadura da modernidade, porém, constrange essa constatação.

Não se trata aqui, evidentemente, de tentar renegar essas mídias, cuja presença é irrevogável. Mas é necessário reconhecer que elas apresentam limitações que exigem aprimoramento. No limite, podem colocar em xeque a trôpega democracia contemporânea. Afinal, embora não sejam a causa do ódio, são amplificadoras importantes desse sentimento. E valioso instrumento para os oportunistas que se valem de sua capilaridade e ausência de filtros para disseminar mentiras.

No domingo (07) o brasileiro vai à urna eletrônica ajudar a definir o destino do País. Pelo clima, vai chegar lá como se manuseasse o teclado para reagir a uma afronta adversária ou para exaltar seus ídolos. Seria melhor que não fosse assim, mas essa é, infelizmente, a tônica dessas eleições.



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