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César Oliveira

Bolsonaro, a soberba, e uma agenda

Cesar Oliveira - 01 de agosto de 2018 | 18h 40
Bolsonaro, a soberba, e uma agenda

Não há nada mais impenetrável do que as crenças humanas. A realidade fica posta diante do individuo, incisiva, mas ele tergiversa, desvia, e insiste no erro que está sinalizado, achando que o resultado será diferente do esperado. Nessa eleição presidencial estamos diante de mais um grande erro de interpretação. Todos os opositores e boa parte do jornalismo torcedor, ou jornalismo a serviço, dedicam-se todos os  dias a humilhar, ofender, subestimar, o eleitor de Bolsonaro. Acham que todo eleitor do Capitão é um direitista brucutu, ao contrário deles,  esquerdistas de trufa e azeite de oliva extra virgem. Santo Deus, ops, Deus não, porque Deus não se mete nesses assuntos terrenos.

 

O eleitorado brasileiro já mostrou em duas votações recentes, em eleições extras para governadores, baixíssima participação, traduzindo a  ameaça termos um recorde de votos nulos e brancos, sinalizando sua insatisfação. Apenas, uma fração do eleitor de Bolsonaro é de "direita"- e, talvez, até a menor parte-, a maioria, provém desse eleitor desiludido, cansado da agenda de costumes, relativismos e impunidade, e que se dispõe a engolir os excessos comportamentais, e vocais, dele, como resposta ao completo desgaste da classe política e a sensação de imoralidade reinante no lamaçal político nacional, que ameaça não mudar, visto Alckmin e o bando que aderiu a ele, e todos os portadores de apelidos na Odebrecht que seguem aí firmes e fortes nas candidaturas, à "esquerda" e "direita".

 

A falta de profundidade de Bolsonaro, sua produção irrelevante como contribuinte ao debate nacional, sua tosca compreensão das questões administrativas, seus reduzidos horizontes como líder e definidor dos caminhos de uma nação, em sua geopolítica, foram - bizarramente-, trocados em um debate em rede de TV, por essas mesmas questões comportamentais, em que se fazem as mesmas perguntas, para se obter as mesmas respostas e conceder ao deputado-candidato, mais de 3 milhões de visualizações no You Tube, no dia seguinte. Para ter-se uma ideia, inacreditavelmente, até, uma jornalista (?), achou que o sigilo do voto impresso seria quebrado porque o eleitor sairia da cabina com uma cópia dele, como se fosse uma maquininha de cartão de crédito.

Nos EUA, a eleição já mostrou que os analistas cometem desastres monumentais. Seria bom, então, deixar a soberba e começar a ter mais respeito pelo eleitor de Bolsonaro, separando o joio do trigo, sabendo que o joio, são os extremistas, mas o trigo é uma agenda, que inclui uma ideia de honestidade, e há um eleitor que está sendo seduzido por ela.

É, a essa agenda, que os candidatos precisam estar atentos se querem derrotar o franco-atirador Bolsonaro.



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