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Segurança

Taxa de homicídios na BA cresce quase 98% em 10 anos, aponta Atlas da Violência

05 de junho de 2018 | 17h 26
Taxa de homicídios na BA cresce quase 98% em 10 anos, aponta Atlas da Violência
Foto: Reprodução
Em 10 anos, a taxa de homicídios na Bahia a cada 100 mil habitantes cresceu 97,8%. É o que aponta o Atlas da Violência, pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado nesta terça-feira (5), com base em dados do Ministério da Saúde.
 
A pesquisa revela que a taxa de homicídios passou de 23,7%, em 2006, para 46,9%, em 2016. Na última década, apenas quatro estados tiveram crescimento na taxa de mortes violentas maior do que a Bahia: Rio Grande do Norte (256,9%), Sergipe (121,1%), Maranhão (121%) e Tocantins (119%).
 
Em 2016, quando foi feito o último levantamento, a taxa de homicídios na Bahia a cada 100 mil habitantes (46,9%) ficou apenas atrás das registradas nos estados Sergipe (64,7%), Alagoas (54,2%), Rio Grande do Norte (53,4%), Pará (50,8%), Amapá (48,7%) e Pernambuco (47,3%), todos entre o norte e o nordeste.
 
Em números absolutos, o número de homicídios na Bahia passou de 3.311, em 2006, para 7.171, em 2016. Desconsiderando a taxa populacional do estado, trata-se de um crescimento de 116,6% no número de mortes violentas. Na década, foram registrados 59.691 crimes.
 
O percentual só fica atrás dos registrados nos estados do Rio Grande do Norte (307,5%), Sergipe (150,4%), Tocantins (152%), Maranhão (148,5%) e Acre (129,7%), todos também entre as regiões norte e nordeste.
 
No que diz respeito à juventude do estado, o cenário é ainda pior no estado. Segundo o Atlas da Violência, a taxa de homicídios de jovens com idades entre 15 e 29 anos, a cada 100 mil habitantes, cresceu 150,5% entre 2006 e 2016, passando de 45,6% para 114,3%. Na década, o avanço só fica atrás do registrado nos estados do Rio Grande do Norte (380,1%) e Sergipe (151,9%).
 
Em números absolutos, o número de homicídios de jovens entre de 15 a 29 anos na Bahia passou de 1.947, em 2006, para 4.358, em 2016. Desconsiderando a taxa populacional do estado, trata-se de uma elevação de 123,8%. Na década, foram 35.790 mortes de pessoas nesse perfil.
 
O percentual só fica atrás dos registrados nos estados do Rio Grande do Norte (382,5%), Maranhão (130%) e Acre (128,2%).
 
Os dados do Atlas da Violência também revelam o agravamento dos homicídios contra pessoas negras no estado. A pesquisa indica que a taxa de homicídios entre pessoas nesse perfil, a cada 100 mil habitantes, cresceu 104,4%, passando 25,6% para 52,4%. Entre 2015 e 2016, último ano do levantamento, o avanço foi de 16,5%
 
Também houve avanço nos números de homicídios de não negros na década. A taxa de mortes, cada 100 mil habitantes, passou de 7,2% (2006) para 15,6% (2016), um avanço de 116,9%.
 
O cenário se repete quando levados em conta os homicídios contra mulheres, o Atlas revela que a taxa de mortes violentas entre as pessoas do sexo feminino, a cada 100 mil habitantes, tem avanço e passou de 3,3%, em 2006, para 5,7%, em 2016. Trata-se de uma variação de 70,3% na década.
 
Em números absolutos, o número de homicídios contra mulheres na Bahia passou de 243, em 2006, para 441 em 2016. A variação foi de 81,5%.
 
Governo rebate
 
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) rebate os dados do Atlas da Violência e critica a metodologia empregada.
 
Diz que a Bahia vem registrando progressiva diminuição dos índices de mortes violentas. Afima que, nos cinco primeiros meses deste ano, o índice recuou 12,6%, no estado, em relação ao mesmo período de 2017, o que, conforme o órgão, demonstra o resultado do trabalho integrado das polícias Militar, Civil e Técnica.
 
Ainda segundo a SSP, com os investimentos feitos na contratação de novos policiais, entregas de novas estruturas, uma delas o Centro de Operações e Inteligência, no ano de 2017, comparando com 2016, a Bahia alcançou a redução de 5,2% nas mortes violentas. De 2015 para 2016, em Salvador, os crimes contra a vida caíram 3,1% e, no estado, houve um aumento de 12,4%, aponta a SSP.
 
O secretário Maurício Barbosa lamentou a divulgação do ranking de mortes violentas no Brasil, que, segundo ele, não leva em consideração que os estados nordestinos figuram sempre como mais violentos, pois contam as ocorrências usando uma metodologia mais fiel à realidade.
 
O secretário disse, ainda, que a pesquisa, quando fala em mortes violentas, coloca no mesmo patamar o assassinato praticado por um criminoso e os casos em que policiais, quando atacados, reagem proporcionalmente em legítima defesa dele e da sociedade.
 
Na avaliação da SSP, as mortes por arma de fogo, no Brasil, são reflexo da falta de uma política nacional de segurança, com ausência de combate à entrada de armas através das fronteiras. Em 2018 a polícia baiana, nos quatro primeiros meses, chegou a uma média de 22 armas apreendidas por dia, afirma o órgão.
 
Com relação à morte de jovens, a SSP defende a maior participação dos municípios, na proposição de ações sociais como o Mais Futuro e o Partiu Estágio, que oferecem novas perspectivas. Sem as criações de oportunidades de emprego como estas, o tráfico acaba cooptando os adolescentes, afirma o órgão. Ainda de acordo com a SSP, os jovens que mais morrem são também os que mais matam.
 
 
No que diz respeito à morte de negros, a SSP disse que está analisando os dados do período divulgado, tomando como base a faixa de população negra do estado, de 76%, a maior do país.


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