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André Pomponet

Presidenciável participa de debate amanhã na Uefs

André Pomponet - 04 de junho de 2018 | 12h 35
Presidenciável participa de debate amanhã na Uefs

Amanhã (05) o primeiro pré-candidato à presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), visita a Feira de Santana.Vai à Uefs, fazer uma palestra a partir das 18h30, no auditório três, no módulo quatroO convite circula pelas redes sociais. O evento deve atrair público expressivo: é no meio acadêmico, entre jovens órfãos de lideranças políticas à esquerda, que a legenda faz mais sucesso.

Guilherme Boulosé liderança do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto lá em São Paulo, mas o movimento conta com ramificações em diversos estados. Ele começou a ganhar protagonismo nacional, ironicamente, a partir da derrocada do petismo e de Dilma Rousseff, a partir de 2015. Participou da mobilização em São Bernardo do Campo (SP), após a ordem de prisão de Lula.

Muita gente enxerga Boulos como um potencial herdeiro de Lula, uma nova liderança de massasÉ jovem, carismático e, hoje, encarna certos ideais da esquerda que foram sendo abandonados pelo petismo à medida que a legenda se aproximava do poder. Seu desempenho eleitoral, até aqui, é bem modesto, mas parece que o PSOL está mais preocupado em preparar seu nome para embates futuros.

Obviamente, Guilherme Boulos já foi rotulado pela grande imprensa: é “radical”, de “extrema-esquerda”, que “dialoga pouco”. Alinha-se a Lula (PT), Ciro Gomes (PDT) e transita no polo oposto ao de Jair Bolsonaro (PSL), que é de “extrema-direita”, mas que também é “radical” e “dialoga pouco”.

Pairando entre esses extremos, estão os candidatos de “centro” – Rodrigo Maia (DEM), Henrique Meirelles (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB) –, que “não são radicais” e “dialogam”. São os preferidos do “deus mercado”.

É avassalador o discurso do liberalismo caipira e iracundo que defende a privatização de tudo, a desregulamentação de tudo – sobretudo dos direitos trabalhistas , a redução do Estado e a compressão da carga tributária. Prega-se uma espécie de “paraíso liberal”, que contraditoriamente se associa a um obscurantista e constrangedor conservadorismo religioso que lembra hábitos da Idade Média e até do patriarcado bíblico.

Hoje, o PSOL de Boulos – e as demais legendas progressistas – tem a missão de construir uma agenda de esquerda para os próximos anos, contrapondo-se à ofensiva do Leviatã conservador. Tarefa difícil: o petismoalvejado,arrastou consigo a esquerda; houve intensa desmobilização da sociedade, que recentemente pouco lutou pela preservação de conquistas históricas; e as alianças oportunistas e o pragmatismo eleitoral interditaram o necessário debate de uma agenda progressista.

É evidente que o momento é de refluxo, de avanço conservadorMas, caso um golpe não revogue a democracia – hoje trôpega, cambaleando com a rasteira aplicada em 2016 –, se impõe a tarefa de discutir, de propor caminhos para o Brasil, contrapondo-se à monocórdia agenda do “deus mercado”.

Certamente será válido ouvir o que Guilherme Boulos tem a dizer no evento que acontecerá amanhã na Uefs.



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