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César Oliveira

O memorando da CIA que revisita Geisel e o grito das torcidas.

César Oliveira - 12 de maio de 2018 | 20h 11
O memorando da CIA que revisita Geisel e o grito das torcidas.
Geisel e Figueiredo

São impressionantes as reações desencadeadas pela revelação de um memorando  da CIA mostrando que as execuções de opositores ao regime militar eram do conhecimento do ex-presidente Geisel, e autorizadas por ele, friamente, e por Figueiredo, que tinha a palavra final sobre quem morria e vivia. Era uma política de Estado, que foi centralizada no Planalto Central,  e não uma ação descontrolada dos agentes militares. Geisel, que reagiu, é verdade, contra a tigrada mais aloprada, inclusive demitindo o general Sylvio Frota, e conduziu a abertura “lenta e gradual”, não deixou o pragmatismo militar ao concordar com a política de eliminação de subversivos e vai carregar, historicamente, o preço de suas escolhas.  

De um lado há os que acham que o fato de serem guerrilheiros e desejarem implantar um ditadura comunista, como já revelou o ex-guerrilheiro Fernando Gabeira, é motivo suficiente para que fossem executados, esquecendo que ao assumirem essa posição tornam-se iguais e justificam as ações dos comunistas quando chegam ao poder.  Há os que apelam para o fato que estes guerrilheiros executaram civis, militares, fizeram tribunais de exceção sem nenhum critério e mataram companheiros que consideravam traidores, como se isso fosse autorização para o Estado justificar sua ação criminosa, agindo sem o respeito à lei.

Por outro lado, há os que negam os objetivos da guerrilha, o totalitarismo com que costumam agir, e as vítimas inocentes que fizeram, em atentados, como se não tivessem de pedir desculpas à sociedade. Outros dizem que o passado não tem importância e a história não deve cumprir seu papel; e há os que enxergam, apenas, um ato político contra um candidato militar, como se isso superasse o fato em si, em sua crueza.

         A revelação do documento não pode ser tomada como argumento de torcida, de nenhum lado. Ele é duro, violento, bruto em sua realidade e doloroso a muitas famílias.  Ainda, que se tente compreender o papel das Forças Armadas em combater uma guerrilha armada- onde havia gente lutando pelo poder e gente que acreditava, honestamente, em libertar o país, da ditadura-, e que se justifiquem os mortos em combate, não se pode aceitar, sob argumento algum, a execução de prisioneiros- seja quem for- sob custódia do Estado. Isso é barbárie e não pode ser compreendido como legítimo por nenhuma sociedade, nem deve ser esquecido, pois, toda vez que esquecemos, toda vez que a história se omite em narrar a realidade, aprofundamos a chance de recairmos no erro. O fato, no entanto, não impacta no papel e comportamento atual das Forças Armadas. 

O que é lamentável, é que todos tentem justificar, seus atos, quando não há justificativa para nenhum dos excessos.  Dois erros, não fazem um acerto.



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