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  • Feira de Santana, sábado, 30 de maio de 2020

Saúde

Presidente de associação aponta falhas no programa de combate ao aedes aegypti

14 de maio de 2015 | 09h 37

Falta de larvicida e quantidade insuficiente de agentes são alguns exemplos

Presidente de associação aponta falhas no programa de combate ao aedes aegypti

O programa de combate aos focos do mosquito aedes aegypti, transmissor da dengue, chikungunya e zika, em Feira de Santana está cheio de falhas e se a população não colaborar a situação vai piorar muito mais. A informação é da presidente da Associação dos Agentes de Endemias, Isabel Cristina Fernandes Gonçalves, que contesta as reclamações da comunidade de que os agentes não estariam atuando no controle da dengue.

“Não existe falha dos agentes. Eu vou defender, pois eu trabalho no campo e inclusive estou aqui fardada, trabalhando. Acontece que Feira de Santana cresceu muito com condomínios particulares, do Minha Casa, Minha Vida e o número de agentes a cada ano diminui, pois muitos ficaram com problemas de saúde devido aos produtos que nós usamos, outros se aposentaram”, afirmou.

Segundo Isabel Cristina, atualmente são pouco mais de duzentos agentes para uma cidade com mais de 600 mil habitantes. Ela afirma que a sociedade precisa colaborar para que a situação não piore e afirma que muitas pessoas estão confundindo a função dos agentes de endemias.

“Então a falha não é dos agentes. A falha maior é da comunidade. As pessoas ligam para a nossa central e pedem que os agentes se dirijam até a residência deles para fazer a limpeza do quintal, mas nós não fazemos o trabalho de serviço público. Nosso papel é orientar o que a comunidade faz. Feira de Santana está chegando a esse ponto com muitos casos de dengue e chikungunya, e a comunidade precisa ajudar os agentes, fazendo a parte dela”, destacou.

Ainda de acordo com Isabel Cristina, alguns agentes de saúde foram relocados de um bairro para outro, o que causou a proliferação do mosquito em algumas regiões da cidade.

“Isso foi um erro. Nós sentamos com a coordenação e não concordamos. Quando a comunidade diz que tem vários meses que o agente não passa, é porque ele foi relocado de um bairro para outro. A culpa é da falta de agentes e da coordenação que fez essa mudança. Tem bairros na cidade que estão sem a cobertura dos agentes. Eu não posso dizer que Feira está 100% coberta. Está na hora da coordenação sentar com quem é de direito, passar a real situação e tentar encontrar a solução para cobrir 100% Feira de Santana”, disse.

A presidente da Associação dos Agentes de Endemias ainda apontou a falta de larvicida e a ineficiência do atual produto utilizado no combate às larvas do mosquito da dengue, como fatores que impedem a realização de um bom trabalho. Ela disse que a categoria sente muito por ver que o trabalho não está fazendo o efeito esperado.

“Não tem larvicida e sem contar que estamos com um produto novo, que não mata a larva. Esse produto não está surtindo efeito e não é só em Feira de Santana, é no Brasil todo. Tem que mudar o produto. É melhor a comunidade lavar as caixas d’água e tonéis, deixar tudo tampado e esquecer o produto. Fico triste quando chego às policlínicas e vejo a situação em que estão. Além da dengue, chikungunya e zika, existe uma epidemia de virose na cidade”, observou.

A secretária municipal de Saúde, Denise Mascarenhas, reconheceu a falta do larvicida e também que a quantidade de agentes de endemias é pouca para cobrir toda a cidade de Feira de Santana.

“Já informamos há algum tempo que a quantidade de larvicida não está sendo suficiente e foi abordado isso durante reunião de secretários dos municípios. Segundo informações que obtivemos, a matéria-prima está em falta no Brasil. Quanto à questão de agentes, realmente temos um número reduzido, pois existia uma parte nossa e uma parte da Funasa. Já solicitamos um levantamento ao coordenador de endemias para que possamos fazer o que for necessário dentro do município”, afirmou.

Segundo Denise, apesar da quantidade de larvicida e agentes não serem suficientes para grandes ações, a secretaria está realizando ações nas próprias unidades de saúde. Ela informou que uma reunião já foi marcada com o Ministério Público para a realização de uma grande ação em parceria com outros órgãos. “É preciso ter atenção, pois apesar do nordeste estar em penúltimo lugar na epidemia de dengue, as pessoas precisam ter hábitos necessários, dentro de casa, para o combate do mosquito transmissor”, destacou.

Ainda de acordo com a secretária de saúde, o município tem buscado meios de tentar resolver a situação, apesar das limitações. “O trabalho da vigilância epidemiológica é feito sete dias na semana. O prefeito José Ronaldo de Carvalho, em nenhum momento, se negou a fazer ações e estamos buscamos soluções. O carro do fumacê, por exemplo, não é de Feira de Santana, mas já estamos buscando. Peço à população que colabore e nos comunique, pois precisamos identificar se realmente é dengue ou virose. Não estamos com os braços cruzados”, salientou.

Sobre a situação de alguns imóveis e terrenos abandonados em Feira de Santana, a secretária de Saúde Denise Mascarenhas informou que vai se reunir com o Ministério Público para juntos encontrarem uma solução. “Não podemos adentrar nesses imóveis sem ter as devidas informações. Juntos vamos tomar medidas sobre isso”, afirmou.

FONTE: Acorda Cidade



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