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Mundo

Cúpula do G20 termina com placar de 19 a 1 contra EUA sobre o clima

09 de julho de 2017 | 09h 41
Cúpula do G20 termina com placar de 19 a 1 contra EUA sobre o clima
Foto: Reprodução
O comunicado oficial da cúpula do G20, reunião de lideranças das 20 maiores potências do mundo em Hamburgo, na Alemanha, trouxe a marca das divergências entre o novo governo dos Estados Unidos e o restante do mundo, sobretudo na questão climática, após dois dias de intensos debates entre as autoridades em meio a violentos protestos ao redor da cidade que deixaram 143 presos e 213 policiais feridos. Divulgado em entrevista coletiva na manhã de ontem, a declaração final confirma a saída dos americanos do Acordo de Paris, que luta contra o aquecimento global, e o isolamento do país nessa questão: todos os outros integrantes do encontro consideram este acordo internacional “irreversível”.
 
A chanceler federal alemã, Angela Merkel, ansiosa por mostrar suas habilidades como mediadora dois meses antes da eleição na Alemanha, afirmou sem rodeios que foi muito difícil obter um consenso sobre o assunto e, no final, quebrando a tradição do G20, foi incluído um parágrafo separado para destacar a posição do presidente americano, Donald Trump, que exigia menção a combustíveis fósseis no texto.
 
A chanceler disse que a declaração deixa absolutamente claro que os 19 líderes mundiais reunidos em Hamburgo não compartilham da posição dos EUA, que classificaram como “lamentável”.
 
— Está muito claro que não conseguimos chegar a um consenso, mas as diferenças não foram escondidas. Alteramos a declaração, que deixa muito clara a diferença entre o que os Estados Unidos querem e o que os outros países querem — disse Merkel.
 
Em contrapartida, Washington apresentou uma linha contenciosa, dizendo que o país “se esforçaria para trabalhar em estreita colaboração com outros países para ajudá-los a acessar e usar combustíveis fósseis de forma mais limpa e eficiente”, na contramão do objetivo de uma economia global menos focada em carbono defendido pela comunidade internacional. Na prática, o parágrafo extra representa a possibilidade para os EUA continuarem comercializando gás de xisto.
 
Apesar dos obstáculos, Merkel conquistou seu objetivo primário na reunião em Hamburgo, convencendo os demais líderes a apoiarem um comunicado único com promessas sobre comércio, finanças, energia e África. O presidente francês, Emmanuel Macron, avaliou que a reunião permitiu preservar “equilíbrios indispensáveis” sobre clima e comércio. Ele anunciou ainda a organização de uma cúpula sobre o clima em 12 de dezembro, e disse que vai continuar pressionando Trump.
 
— Nosso mundo nunca esteve tão dividido — lamentou.
 
Para o presidente russo Vladimir Putin, o G20 encontrou um “meio-termo ideal”:
 
— Um dos assuntos mais importantes foi o das mudanças climáticas. E, a este respeito, (Merkel) conseguiu encontrar um meio-termo, (...) onde todos os países constataram que os Estados Unidos se retiraram do acordo (de Paris), mas que o trabalho vai continuar.
 
Tensões entre Washington e Pequim sobre a Coreia do Norte também estiveram presentes no G20. A escalada da tensão na Península Coreana foi um ponto crucial debatido na cúpula, diante do teste militar com um míssil balístico intercontinental feito pelo regime de Kim Jong-un na semana passada. Em reunião com aliados asiáticos, Trump classificou o governo norte-coreano como “um problema e uma ameaça”, na tentativa de encontrar um consenso sobre os próximos passos a serem adotados.
 
Os EUA têm pressionado a China a usar sua influência e fazer com que a Coreia do Norte abandone o desenvolvimento de seu programa nuclear, o que Kim já anunciou que não fará. Coreia do Sul, Japão e EUA pediram a aprovação rápida de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU e mais sanções ao governo norte-coreano.
 
Por sua vez, o presidente chinês, Xi Jinping, disse a Trump que a China está disposta a aderir à resolução da questão nuclear norte-coreana por meio de negociações, informou a agência de notícias estatal Xinhua. Ele defendeu esforços intensificados para promover mais diálogo enquanto se formulam “respostas necessárias” à Coreia do Norte.

FONTE: O Globo



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