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Cultura

Realizadores avaliam e discutem rumos da Micareta

05 de maio de 2015 | 08h 51
Realizadores avaliam e discutem rumos da Micareta

Com 78 anos de existência, a Micareta de Feira de Santana enfrentou inúmeras mudanças, tanto de local como principalmente em seu formato. Das marchinhas carnavalescas e manifestações populares a grandes bailes em clubes, hoje a Micareta enfrenta uma realidade mais comercial e uma grande polêmica em sua aparente retração.

Para os foliões, o gosto pela festa sempre será um motivo para apoiá-la, mas o esvaziamento da cidade durante o período e a diminuição do público denotam um certo desinteresse do cidadão feirense pelo atual modelo. Até quem faz a festa critica, por vê-la desorganizada e sem planejamento.

O diretor de eventos da Secretaria de Cultura Esporte e Lazer, Naron Vasconcelos, admite que a Micareta precisa ser vista de modo profissional e que um Fórum para discutir melhor o evento poderá ajudar muito. Em entrevista ao programa de rádio Acorda Cidade, ele afirma que com o crescente investimento de camarotes em estrutura, atrações e serviços, o folião tem sido atraído a sair das ruas e tem cada vez mais aderido às festas fechadas. Outro fator apontado por ele é a crise da Axé Music, que influenciou na presença baixa do folião durante a passagem de atrações consideradas grandes, como Bell Marques, Daniela Mercury e Claudia Leite.

Outro fator que chamou a atenção foi a diminuição de blocos, que sempre foram uma grande atração na festa. Para o empresário Marcelo GG, sócio da Central Mix, neste ano, os blocos que ficaram tiveram uma venda acima do ano passado, porque a concorrência diminuiu. Mas no geral, ele viu uma perda de foliões. “Tanto por conta dessa diminuição de blocos como pelo crescimento dos camarotes”.

Ainda assim, ele afirma que a festa continua grande, mas precisa ser revista, assim como o Axé Music. “A festa este ano mais uma vez se mostrou grande, apesar de todos os problemas, como cancelamento de outras micaretas até por conta dessa crise econômica  batendo à porta. Hoje os eventos de rua estão passando por uma mudança, ou uma readequação, mas acho que a participação popular faz a diferença do nosso evento. Temos que tentar melhorar a estrutura para os foliões (banheiros, praças de alimentação, estacionamento). O modelo é esse mesmo: trio na rua, fanfarras, blocos afros, escolas de samba. Como dono de bloco, acho que estamos passando por um momento de rever alguns projetos, pois dependemos que a axé music se revitalize para que possamos novamente crescer dentro do evento”, analisa.

Para o sócio do Dicamarote, Henrique Silva, é preciso que a festa seja planejada e divulgada com mais tempo. “ É necessário no mínimo seis meses pra que a gente possa divulgar a festa. A micareta precisa ser trabalhada com antecedência pra que a gente consiga fazer mídia dentro e fora da Bahia para atrair turismo, trazer mais folião para a cidade”, comenta.

Rafael Bullos, sócio do Bloco Da Praça, um dos mais antigos da cidade, queixou-se em entrevista ao programa Acorda Cidade que muitas cidades ao redor de Feira, como Santo Antonio de Jesus, Alagoinhas e até lugares mais próximos como Santanópolis, não sabiam da data da Micareta de Feira de Santana.

Como sugestão para a festa, ele propõe que os barracões fiquem “no meio do circuito para distribuir o folião na avenida, pois concentram  demais no início”. Ele critica o fato dos shows dos camarotes muitas vezes acontecerem quando passam grandes atrações na avenida, criando uma concorrência.

 

CAMAROTE É POUCO

 

Em entrevista ao repórter Paulo José, o prefeito José Ronaldo, quando questionado sobre o sucesso dos camarotes, afirma que não há concorrência com os trios na rua. “O número de pessoas que entra num camarote desses é no máximo mil pessoas, não mais que isso de jeito nenhum. São 3 camarotes, então são 3 mil pessoas. Comparado a uma multidão que só em Wesley Safadão arrastou mais de 100 mil pessoas na rua. Cada pessoa tem seu estilo, quem vai para um camarote desses não quer ir pra rua, gosta de ficar num lugar mais tranquilo e acho que isso contribui com a festa e inclusive pagam pelo uso do solo da cidade. A contribuição dos camarotes permitiu a contratação de Daniela Mercury para a avenida por exemplo”, detalha.

Sobre investimento em propaganda da festa, ele acredita que a divulgação foi adequada, e que tradicionalmente quem vem para a Micareta de Feira são pessoas que têm parentes na cidade.

O prefeito entende que muita gente veio de fora para a festa. “A presença do povo é tão grande que se você for olhar na redondeza onde os carros estacionaram, você vai ver muita gente dos municípios da região. Acredito que foi uma Micareta bem sucedida e a cada ano vai melhorando”, prevê. 

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