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Geral

Sucesso de público expõe precariedade do aeroporto

17 de março de 2015 | 16h 39

Concessionária aguarda desapropriação de área pelo estado, para ampliar terminal

Sucesso de público expõe precariedade do aeroporto
Além dos passageiros, o pequeno saguão tem que comportar os curiosos, que vão para conhecer o aeroporto

Veja também: Novo voo pode ter Fortaleza como destino

 

JULIANA VITAL

Desconforto, calor, falta de cadeiras e até de espaço para ficar em pé. As queixas de quem utiliza o aeroporto de Feira de Santana são muitas, mas tão cedo não vão acabar. No mês passado, o Procon fez uma visita ao local e alardeou um prazo de 20 dias para providências. Mas a rigor foi apenas um “relatório de visita”, onde pediu explicações. O prazo já se encerrou. “Enviamos um documento ao Procon com tudo explicado e recebemos uma resposta positiva por parte deles. O órgão entendeu as nossas condições", relata Jorge Lobarinhas, diretor superintendente da FSA Aeroporto, empresa que tem a concessão do empreendimento por 25 anos. Segundo Jorge, há investimentos programados e dinheiro para fazê-los.

Reclamações surgem dos passageiros e até de quem vai acompanhá-los. Com apenas um horário de vôo diariamente, o momento em que os passageiros desembarcam de Campinas coincide com o embarque dos que irão para São Paulo, o que gera aglomeração no saguão.

Para Lourival Cunha, bancário aposentado, o aeroporto deixa muito a desejar com a falta de espaço para as pessoas. Idoso, estava em pé há algum tempo aguardando o embarque do genro. “Vim trazer um parente para embarcar e acho que as instalações estão muito acanhadas e sem conforto. No momento do movimento há um choque entre quem chega e quem vai. A nossa cidade tem potencial para um aeroporto de grande movimento e é preciso que as autoridades cuidem disso. Além disso, falta sinalização na pista e na avenida de Contorno, o engarrafamento também é um transtorno. Na cidade também não há placas para o usuário saber qual o melhor caminho para o aeroporto. As pessoas vão aventurando para chegar aqui. É preciso criar esta cultura, educando e informando”, adverte.

Joselito Moreno, administrador, foi pela primeira vez ao aeroporto em Feira. Acostumado a embarcar pelo aeroporto de Salvador, afirma que o maior problema é o desconforto. “Faz muito calor na sala de embarque. Isso é muito ruim pra quem já vai viajar e passar algumas horas no avião. Um desgaste desnecessário”, comenta.

Para o empresário Vitor Lins, apesar das carências estruturais, há vantagem em pegar o vôo aqui. “Meu destino final é São Paulo, mas a Azul fornece um ônibus de Viracopos para São Paulo com muito conforto. Então pra mim é vantagem sair de Feira direto para São Paulo, sem precisar pegar a pista [BR 324] para ir para Salvador”.

"Entendemos e reconhecemos os problemas relatados pelos passageiros, mas estamos trabalhando para alcançar todas as melhorias necessárias dentro das nossas possibilidades”, garante o diretor Jorge.

Mas pelo que se ouve do próprio diretor, não se pode esperar melhorias logo. Isto porque será preciso chegar a 8 mil passageiros por mês, para forçar providências indispensáveis à expansão. Com o único voo – de segunda a sexta para Campinas – andando sempre lotado, a movimentação hoje é de 2,5 mil passageiros.

O diretor do aeroporto afirma que quando a operação chegar a 8 mil passageiros embarcados por mês (previsão a ser alcançada entre o final de 2016 e começo de 2017),  haverá novos investimentos por parte da empresa no sentido de aumentar a pista e construir um novo terminal de passageiros.

“Com o aumento de movimento, a necessidade de um novo terminal será imprescindível e isso forçará o governo a realizar a desapropriação mesmo que parcial da área no entorno delimitada para realizar os investimentos necessários. Dependemos agora somente da desapropriação do governo”, promete.

Jorge explica que a área patrimonial do aeroporto atualmente está dentro do limite e não há espaço para crescer, sem que o governo estadual desaproprie as áreas que já estão estabelecidas em decreto de utilidade pública. Até mesmo para construir um prédio para funcionamento de um novo saguão será preciso aguardar a desapropriação. “A empresa preferiu inicialmente investir na estrutura técnica pensando também que isso traria melhorias para toda a estrutura do aeroporto e em seguida apostando na expansão dele”, justifica.

Sobre os assentos no saguão (seis cadeiras) e na área de embarque (onde existem 42 cadeiras), o diretor do aeroporto  afirma que a quantidade é proporcional a qualquer outro aeroporto. 

Para o administrador a aglomeração de pessoas na área de embarque se deve à demora da passagem das pessoas pela máquina de raio x. "Este equipamento vem atender a Resolução 168 da ANAC, que tem o objetivo de trazer segurança. E como isso é novidade aqui, algumas pessoas ainda se incomodam com a inspeção. O equipamento é muito sensível e às vezes alarma mais de uma vez, travando um pouco o processo de passagem dos passageiros para a área de embarque”, justifica.

“Neste primeiro momento tivemos também uma quantidade muito grande de visitantes curiosos apenas para conhecer o aeroporto e ver o avião e isso superlotou o aeroporto.  Isso tem gradativamente diminuído e tem melhorado o problema de superlotação. Além disso, o terminal foi construído aproveitando uma estrutura antiga, a qual possui um pé direito muito baixo, não proporcionando uma eficácia na climatização do ambiente”, explica o diretor.

Para agravar a situação, o aeroporto está na zona rural da cidade e final da linha da rede elétrica da Coelba. Isso faz oscilar muito a capacidade de carga, obrigando o aeroporto a se precaver com nobreaks (equipamentos que ajudam a estabilizar a energia dos equipamentos e evitam o desligamento imediato em caso de queda) e com gerador. “Solicitamos uma melhoria da rede e dentro de 60 dias vamos resolver este problema da climatização. Estamos com a capacidade de uso total da rede. Contratamos uma empresa de engenharia para refazer nossa rede de energia, colocando mais aparelhos de climatização", afirma.



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