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Saúde

Feira tem 793 doentes renais fazendo diálise

13 de março de 2015 | 09h 13

Duas clínicas locais promoveram ações gratuitas para a população

Feira tem 793 doentes renais fazendo diálise
Na frente da prefeitura, os profissionais de Saúde fizeram exames e orientaram a população

Com o tema "Rins Saudáveis", foram realizadas ações em todo o mundo, em comemoração ao Dia Mundial do Rim, ontem (12). A Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) coordena a campanha no Brasil, tendo em média 700 eventos relacionados em todas as regiões.

Em Feira de Santana, duas clínicas locais promoveram ações gratuitas para a população durante todo o dia no Centro da cidade. A equipe do Instituto de Urologia e Nefrologia de Feira de Santana (Iune) se reuniu em frente à prefeitura das 8h às 16h, com o intuito de divulgar informações acerca da Doença Renal Crônica (DRC), tendo como principal foco alertar a população sobre a importância de adotar hábitos de vida saudáveis como a melhor forma de prevenção. Foram distribuídos informativos e oferecidos serviços de teste de glicemia e aferição de pressão arterial.

Também na quinta, a Clínica Senhor do Bonfim realizou uma ação no espaço denominado Marcus Moraes, na avenida Getúlio Vargas, das 8h às 17h, com serviços de aferição de pressão arterial, teste de glicemia, avaliação nutricional, realização de exames laboratoriais de ureia e creatina, e distribuição de panfletos informativos.

“O Dia do Rim é muito importante para lembrar que a Doença Renal Crônica é silenciosa e afeta muito a qualidade de vida do indivíduo, além de aumentar consideravelmente o risco de doenças cardiovasculares, como Infarto Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Exames laboratoriais como dosagem da creatinina e a pesquisa de proteína na urina devem fazer parte dos exames de rotina anuais para o diagnóstico precoce”, destaca a nefrologista Aritana Alves.

 

Rim, o “filtro do organismo”

Principal órgão do sistema excretor, cada um dos dois rins possui forma de feijão, tendo, no ser humano, aproximadamente 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. O rim filtra os produtos do metabolismo de aminoácidos do sangue, principalmente a ureia, e os excreta, com água, na urina. Além de eliminar substâncias tóxicas, ele também é responsável pelo equilíbrio de itens como sódio, potássio, cálcio, magnésio, fósforo, bicarbonato, hidrogênio e cloro; produz hormônios; mantém constante o pH sanguíneo, dentre outas funções vitais.

A doença renal crônica (DRC) “é definida pela presença de algum tipo de lesão renal mantida há pelo menos três meses com ou sem redução da função de filtração, conforme o site ABC da Saúde (abcdasaude.com.br). Já a Insuficiência Renal Crônica (IRC) é a fase terminal da DRC, quando “os rins não são mais capazes de exercer a função de ‘filtro do organismo’, momento em que é necessário iniciar a diálise”, explica Aritana. Os sintomas geralmente são fraqueza, falta de apetite, náuseas, vômitos, inchaços, palidez, falta de ar e anemia.

A dona de casa Aurelice de Jesus Santos tem 43 anos e faz diálise há quase nove, três vezes por semana. Ela aguarda por um transplante com esperança, e afirma com otimismo: “Eu agradeço muito a Deus por Ele dar sabedoria aos homens pra ter esse tratamento”.

10% da população mundial tem DRC, um a cada cinco homens e uma a cada quatro mulheres com idades entre 65 e 74 anos. Metade da população mundial acima de 75 anos tem DRC. Estima-se que há cerca de 1,2 milhão a 1,5 milhão de brasileiros com doença renal crônica. (Fonte: Censo SBN, ABCDT, Ministério da Saúde, IFKF).

Em Feira de Santana, o tratamento regular de diálise é feito na Iune e na Clínica Senhor do Bonfim. Atualmente, há 793 pacientes na cidade. Conforme Aritana, esses números vêm crescendo com o tempo por vários motivos. “A população brasileira está vivendo mais e doenças mais comuns em idosos, como Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM) são importantes causas da doença. Outro motivo é o aumento da obesidade na população brasileira, inclusive entre os mais jovens”.

O mau controle da pressão arterial e dos níveis glicêmicos acaba sobrecarregando o funcionamento dos rins. Ela acrescenta que, “infelizmente, o diagnóstico da DRC ainda é tardio na maioria das vezes. 70% dos pacientes em diálise descobrem a doença renal tardiamente”, lamenta. A doençaafeta pessoas de todas as idades e raças,mas acima de 50 anos o risco aumenta. Quem tem parentes com DRC, problemas no coração ou nos vasos das pernas (doença cardiovascular), glomerulonefrites, doenças hereditárias como a Doença Policística, obstruções (pedras nos rins, tumores) e/ou infecções nos rins é mais vulnerável a ter doença renal.

Aritana explica que, em fase inicial, a DRC é “tratada com o controle da pressão, da glicemia (caso o paciente seja diabético) e da anemia”, mas quando atinge o estágio final (IRC), é necessária a Terapia Renal Substitutiva (diálise) - que pode ser hemodiálise ou diálise peritoneal - ou mesmo um transplante renal. Se a diálise não for realizada, o paciente “pode falecer, pelo acúmulo de substâncias tóxicas ou de líquido em excesso no organismo”, declara a médica.

Hábitos alimentares saudáveis, atividades físicas regulares, evitar o excesso de sal, não fumar, controlar a glicemia caso seja diabético, manter bom controle da pressão arterial e acompanhamento médico regular são meios para cuidar bem da saúde dos rins e prevenir a doença.

 

Aritana adverte sobre a necessidade do diagnóstico precoce

A feirense Aritana Alves Pereira é nefrologista na Iune e no Hospital Estadual Roberto Santos. Formada pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), ela cursou residência em Clínica Médica no Hospital Estadual Clériston Andrade (HGCA) e em Nefrologia no Hospital Ana Nery, área em que atua há dois anos.



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