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Geral

Dom Itamar: Veneno nas escolas

Dom Itamar Vian - 10 de março de 2015 | 09h 08
Dom Itamar: Veneno nas escolas
Meus pais criaram dez filhos. Todos saudáveis. Cardápio: leite (natural) batata doce, feijão, arroz, carne, pão de milho, farinha, frutas, verduras, peixes, galinha e ovo caipira e banhos frios. Hoje, crianças estão sendo silenciosamente envenenadas por ingerirem bebidas e comidas nocivas.
 
A venda de refrigerantes e alimentos gordurosos nas cantinas escolares é um tema polêmico no Brasil. Iniciativas, para barrar a prática, vêm sendo discutidas há anos pelas classes políticas, sem que haja qualquer tipo de decisão. A idéia é garantir uma alimentação mais saudável nas escolas.
O SENADO Federal, há mais de seis anos, concluiu a votação de um projeto de lei que proíbe cantinas e lanchonetes existentes em escolas publicas e privadas de comercializar bebidas com baixo teor nutricional, como refrigerantes ou alimentos com altos níveis de açúcar e gorduras saturadas. Mas o projeto precisa ser aprovado pela presidência da República para virar lei. 
 
De acordo com o Manual de Cantinas Saudáveis, editado pelo Ministério da Saúde, o conceito de alimentação saudável deve enfocar o resgate dos hábitos alimentares regionais, estimulando o consumo de alimentos como frutas, legumes,  verduras, grãos integrais e leguminosas. Porém, não é bem esse tipo de alimento que se encontra  em muitas cantinas escolares. Refrigerantes e salgados como coxinhas, empadinhas e pizzas enroladas são os itens que mais despertam o paladar das crianças.
 
Embora a legislação de muitos países já proíba publicidade de alimentos prejudiciais à saúde das crianças, o governo brasileiro teima em ficar submisso à pressão das empresas produtoras, que nem sempre visam a saúde das crianças. Reluta em assegurar qualidade de vida de nossas crianças e da população. No Brasil, trinta por cento das crianças apresentam sobrepeso e quinze por cento delas já são obesas. Uma das causas é a merenda escolar.
 
A maioria de nossas escolas ensinam quase tudo, menos educação nutricional. Ninguém recorre todos os dias a seus conhecimentos de história ou química, faz operações algébricas ou fala em idioma estrangeiro. No entanto, todos nós comemos várias vezes ao dia. E, em geral, o fazemos sem critério e noção de como o organismo reage aos alimentos, e em que medida são benéficos ou prejudiciais à nossa saúde. Cuidar da saúde de nossas crianças é tarefa de todos: pais, educadores, autoridades... É urgente agir para que não aumente a quantidade de veneno nas escolas.


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