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André Pomponet

Até outubro, 5,8 mil empregos extintos em Feira

André Pomponet - 15 de Dezembro de 2015 | 10h 43
Até outubro, 5,8 mil empregos extintos em Feira

                             

               Em artigo anterior afirmei que cerca de seis mil postos formais de trabalho seriam perdidos na Feira de Santana neste amargo 2015.  A estimativa – baseada em projeção linear simples, pouco mais sofisticada que um palpite –, pelo visto, será imprecisa, como sempre acontece em mensurações do gênero: até outubro, já tinham sido perdidos 5,8 mil vagas, de acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Para ser preciso, o saldo foi negativo em exatas 5.815 vagas em dez meses. Isso faltando dois meses para o final do ano.

                O grande drama é que, no curto prazo – considerando-se aí um horizonte de 12 meses – o cenário não vai melhorar. É o que preveem múltiplas instituições financeiras, respeitáveis organismos multilaterais e órgãos do próprio governo. Em 2016, o Produto Interno Bruto – PIB deve registrar nova retração, certamente superior a 2%. Somando-se aos mais de 3% de queda em 2015, conclui-se que a situação se desenha como catastrófica.

                O quadro é ainda mais desfavorável porque em 2014 não houve crescimento econômico e as oportunidades de trabalho começaram a minguar, inclusive na Feira de Santana. Depois de anos de expansão robusta – que produziram uma agradável sensação de prosperidade para boa parte da população feirense – o saldo entre admissões e demissões foi negativo em precisos 714 empregos formais.

                Quando se somam os dois anos, chega-se a impressionantes 6.529 empregos a menos. Mas isso em um intervalo pouco superior a 12 meses, já que a desaceleração começou no segundo semestre de 2014 e 2015 ainda não terminou. É, sem dúvida, o quadro mais dramático de desemprego e recessão na Feira de Santana, pelo menos nas últimas três décadas. Complicando tudo, houve a aceleração inflacionária, que acentuou a sensação de pobreza.

                Construção Civil

                Em textos anteriores apontamos que a crise afetou, sobretudo, os trabalhadores vinculados à construção civil. Essa tendência vem se mantendo ao longo do ano, embora a crise também tenha reduzido o número de empregos formais em outras áreas. Mas na construção civil o baque foi maior: houve o enxugamento de 1.234 vagas para servente de pedreiro e outras 798 para os pedreiros propriamente ditos, até outubro.

                Noutras palavras, só na construção civil são mais de dois mil empregos que, simplesmente, deixaram de existir. O drama é que essa redução traz, embutida, um efeito multiplicador perverso: impacta negativamente sobre o comércio, sobre a prestação de serviços e sobre outras atividades que, potencialmente, tinham esses trabalhadores como seus hipotéticos clientes. Há não apenas a perda do emprego em si, mas a queda da rentabilidade de outros setores.

                Mais dois setores perderam centenas de empregos e se destacam na conjuntura local da crise: os comerciários perderam 420 vagas no saldo líquido e os operadores de telemarketing ainda mais: 482 postos. Esses são, também, dois dos segmentos que mais demandam mão-de-obra no município.

                Crise Política

                A retomada do crescimento não depende apenas da reversão das expectativas negativas, conforme ocorre em ciclos econômicos convencionais: será necessário superar a infindável crise política para que o Brasil enxergue alguma perspectiva e retome o otimismo. Pensava-se que isso poderia acontecer em 2015 mas, pelo jeito, a expectativa vai ter que ser adiada, no mínimo, até o próximo ano.

                Outro grande drama reside aí: 2016 é ano de eleição e, portanto, a temperatura política vai estar acima do habitual; torpedear o governo, hoje, é um grande negócio e, pelo que se percebe, será uma estratégia largamente utilizada nas eleições municipais. Restará, então, aguardar 2017 com resignada impaciência.

                Mas, mesmo sendo assim, não existe trégua à vista: Dilma Rousseff estará ingressando no ocaso temporal dos seus dois mandatos e, a partir daí, pouca coisa se pode aguardar. Sob tamanhas turbulências, terá ela condições de recolocar a economia nos eixos? Só Deus sabe. Na oposição, ainda aposta-se no impeachment como contraveneno para abortar a prolongada apatia econômica.  



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