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  • Feira de Santana, segunda, 17 de fevereiro de 2020

Segurança

Com medo, parentes de três mortos em ação da Rondesp saem do Cabula

05 de março de 2015 | 09h 27

Segundo moradores, a PM tem ido com frequência ao local

Com medo, parentes de três mortos em ação da Rondesp saem do Cabula
Vila vive dias intranquilos: moradores temem invasão de traficantes
Temendo represálias, três famílias de suspeitos mortos em uma ação das Rondas Especiais (Rondesp) na Vila Moisés, bairro do Cabula, deixaram o local. Ao todo, cinco das 12 pessoas mortas na operação da Polícia Militar, que completa um mês amanhã, viviam na comunidade.
 
Segundo moradores, as famílias fugiram após incursões policiais se tornarem quase que diárias. As fontes contam que, em algumas situações, casas foram arrombadas e homens com fardas da PM circulavam com máscaras brucutus.
 
Ao todo, 16 suspeitos de planejar um assalto foram baleados. Dos quatro que sobreviveram, dois estão sob custódia, internados no Hospital do Subúrbio, um foi preso após ter alta médica e um adolescente de 15 anos, também após deixar o hospital, foi ouvido e liberado.
 
A família deste menor seria a quarta a ter se mudado após as mortes, também por supostas ameaças. Na ação de 6 de fevereiro, um PM levou um tiro de raspão no rosto.
 
Ação
 
De acordo com a polícia, a operação começou quando homens da Rondesp Central avistaram uma Saveiro branca e um grupo de seis suspeitos com mochilas, próximo à agência da Caixa, na Estrada das Barreiras. Um aviso havia sido emitido pelo Serviço de Inteligência da corporação, no dia anterior, dando conta que uma quadrilha se preparava para fazer um ataque na região.
 
Por isso, o veículo suspeito foi denunciado à Central de Polícia. Ao chegar no local, a Rondesp foi recebida a tiros e iniciou a incursão. No entanto, moradores e parentes dos mortos negam esta versão, dizendo que os suspeitos foram executados.
 
O Correio esteve na Vila Moisés, na manhã da quarta-feira (4), e verificou que a casa da avó de Caíque Bastos dos Santos, 16 anos, abandonou a residência. A idosa morava no segundo andar de um imóvel sem reboco. “Três dias depois (da ação), ela deixou tudo para trás e saiu com medo porque os policiais haviam invadido algumas casas”, relatou um morador. Depois que a avó de Caíque saiu, numa outra ação da PM, a casa teria sido revirada.
 
Às pressas saiu também a mãe de Óclinho, o único suspeito que foi recolhido na Vila Moisés – os demais baleados foram levados para o Hospital Roberto Santos, onde 11 faleceram. A mãe dele residia na Vila Dois Irmãos, localidade dentro da Vila Moisés. “A casa está vazia”, garantiu uma moradora.
 
Outra que encontramos fechada foi a de parentes de Ricardo Vilas Boas Silva, 27. “Não há mais ninguém aí. Todos foram embora essa semana”, contou um rapaz, atribuindo às incursões recentes da PM. “Na sexta-feira, foi a vez da Polícia Civil tocar o terror aqui. Também entraram em algumas casas”, informou.

FONTE: Correio



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